Se a sua empresa presta serviços, a CBS não é um imposto totalmente novo: ela substitui o PIS e a Cofins que você já paga. A mudança de fundo é que a CBS dá crédito amplo sobre o que a empresa compra para trabalhar, só que serviço costuma ter poucos insumos para creditar, então esse ganho é menor do que na indústria ou no comércio. A alíquota cheia da CBS vale a partir de 2027; 2026 é apenas um ano de teste.
De PIS e Cofins para a CBS
A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é federal, arrecadada pela Receita Federal, e substitui o PIS e a Cofins (inclusive na importação). Ela forma, com o IBS na prestação de serviços, o chamado IVA Dual: dois tributos com a mesma base e as mesmas regras, mas com arrecadação separada. Uma consequência prática dessa separação: crédito de CBS só abate CBS, e crédito de IBS só abate IBS, nunca há compensação cruzada entre os dois.
Hoje o PIS e a Cofins têm dois regimes: o cumulativo (alíquota menor, mas sem direito a crédito) e o não cumulativo (com crédito, mas com a eterna discussão sobre o que é ou não "insumo"). Muitos prestadores de serviço, sobretudo no Lucro Presumido, estão no cumulativo e não tomam crédito nenhum hoje. A CBS acaba com essa divisão: passa a valer a não cumulatividade plena, com crédito financeiro amplo sobre quase tudo que a empresa adquire para a atividade, salvo o uso ou consumo pessoal. A comparação detalhada está em CBS x PIS e Cofins.
O detalhe que muda o jogo nos serviços: poucos insumos
Crédito amplo parece ótimo, e é. O problema é o que o serviço tem para creditar. Numa empresa de serviços, o maior custo em geral é gente: salários, pró-labore e encargos. E folha de pagamento não gera crédito, porque não é a compra de um bem ou serviço de um fornecedor contribuinte.
O que sobra para creditar são despesas como:
- aluguel do escritório e energia elétrica;
- software, assinaturas e serviços de TI;
- serviços contratados de terceiros (contribuintes);
- materiais de trabalho e equipamentos.
Por isso, quanto mais intensivo em mão de obra for o serviço, menos a não cumulatividade ajuda a reduzir o imposto a pagar. Veja o passo a passo em como funciona o crédito de CBS.
Um exemplo simples (com a alíquota de teste)
Vamos usar a alíquota simbólica de 0,9% de 2026 só para mostrar a lógica. Sua empresa presta um serviço de R$ 1.000 e destaca R$ 9,00 de CBS. Se, no período, as despesas creditáveis da atividade tiverem gerado, digamos, R$ 2,70 de crédito de CBS, você não recolhe os R$ 9,00 cheios: abate o crédito e recolhe R$ 6,30. Repare que, se quase todo o seu custo fosse mão de obra (que não credita), o crédito seria pequeno e o valor a recolher ficaria próximo dos R$ 9,00.
Então a CBS aumenta o custo dos serviços?
É a dúvida mais comum, e a resposta honesta é: depende. Três fatores decidem:
- A alíquota final. A alíquota cheia da CBS ainda está em estimativa (é parte da alíquota de referência), então não dá para cravar o número.
- Quanto a atividade tem de insumo creditável. Quem compra muito (equipamentos, tecnologia, terceiros) aproveita mais crédito; quem só tem mão de obra, menos.
- As reduções setoriais, que atenuam a carga de vários serviços, como você vê a seguir.
Reduções que valem para vários serviços
A reforma prevê descontos de alíquota para setores considerados essenciais. Para os serviços, os principais são:
| Situação | Redução | Quanto se paga |
|---|---|---|
| Saúde, educação, transporte público coletivo, produções culturais e jornalísticas nacionais | 60% | 40% da alíquota |
| 18 profissões liberais (advogados, médicos, engenheiros, contadores etc.) | 30% | 70% da alíquota |
| Demais serviços (sem benefício) | , | Alíquota integral |
Essas reduções valem igualmente para a CBS e para o IBS, porque os dois compartilham a mesma base. Se você é profissional liberal, veja os detalhes em CBS para profissionais liberais. ⚠️ O alcance exato de cada setor ainda depende do detalhamento da regulamentação, então confirme o seu enquadramento na fonte oficial.
O outro lado da moeda: seu cliente ganha crédito
Há um efeito positivo importante para quem atende outras empresas (B2B). Quando você presta serviço para uma empresa do regime regular, a CBS destacada na sua nota vira crédito para o cliente. Isso pode manter, ou até melhorar, sua competitividade dentro de cadeias entre empresas, algo que nem sempre acontecia no modelo antigo.
Já quando o cliente é consumidor final (B2C), o crédito não faz diferença para ele, porque o consumidor não aproveita crédito. Nesse caso, o que pesa é o preço final.
Quando isso passa a valer
- 2026 (ano-teste): a CBS aparece na nota a 0,9% (com o IBS a 0,1%), mas sem recolhimento efetivo. Serve para todos calibrarem sistemas.
- 2027: a CBS entra em alíquota cheia e PIS e Cofins são extintos.
- 2027 e 2028: o IBS segue em 0,1%, então, nos serviços, é a CBS que muda o jogo primeiro.
O que fazer agora
- Descubra em qual regime de PIS/Cofins você está hoje (cumulativo ou não cumulativo) para dimensionar a mudança.
- Mapeie as despesas que passarão a gerar crédito de CBS (aluguel, energia, TI, terceiros).
- Verifique se a sua atividade se enquadra em alguma redução (60% ou 30%).
- Ajuste o sistema de emissão de notas para destacar a CBS por item ainda em 2026.
- Se você atende empresas, lembre que a CBS da sua nota vira crédito do cliente, use isso na negociação.
Perguntas frequentes
A CBS aumenta o imposto dos serviços?+
Depende. A CBS substitui o PIS e a Cofins e passa a dar crédito amplo sobre as compras da atividade, mas serviço costuma ter poucos insumos que geram crédito (a folha de salários, por exemplo, não gera). O efeito final depende da alíquota, ainda em estimativa, e das reduções do setor.
Prestador de serviço passa a ter crédito?+
Sim. No regime regular, a empresa credita a CBS de quase tudo que compra para a atividade (aluguel, energia, software, serviços de terceiros, equipamentos), com exceção do uso ou consumo pessoal. A limitação prática é que o principal custo do serviço, a mão de obra, não gera crédito.
Quais serviços têm alíquota reduzida?+
A lei prevê redução de 60% (paga-se 40%) para setores como saúde, educação e transporte público coletivo, e redução de 30% (paga-se 70%) para 18 profissões liberais reguladas por conselho. As reduções valem tanto para a CBS quanto para o IBS.
A folha de salários gera crédito de CBS?+
Não. Salários e encargos não são aquisição de bens ou serviços de um fornecedor, então não geram crédito de CBS. Por isso serviços intensivos em mão de obra aproveitam menos a não cumulatividade.