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CBS na prestação de serviços: o que muda para quem já paga PIS/Cofins

A CBS troca o PIS e a Cofins na prestação de serviços: crédito amplo, poucos insumos para creditar, reduções para alguns setores e crédito para o cliente empresa.

Por Equipe CréditoCBS· Publicado em 26/08/2026· 6 min de leitura

Se a sua empresa presta serviços, a CBS não é um imposto totalmente novo: ela substitui o PIS e a Cofins que você já paga. A mudança de fundo é que a CBS dá crédito amplo sobre o que a empresa compra para trabalhar, só que serviço costuma ter poucos insumos para creditar, então esse ganho é menor do que na indústria ou no comércio. A alíquota cheia da CBS vale a partir de 2027; 2026 é apenas um ano de teste.

De PIS e Cofins para a CBS

A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é federal, arrecadada pela Receita Federal, e substitui o PIS e a Cofins (inclusive na importação). Ela forma, com o IBS na prestação de serviços, o chamado IVA Dual: dois tributos com a mesma base e as mesmas regras, mas com arrecadação separada. Uma consequência prática dessa separação: crédito de CBS só abate CBS, e crédito de IBS só abate IBS, nunca há compensação cruzada entre os dois.

Hoje o PIS e a Cofins têm dois regimes: o cumulativo (alíquota menor, mas sem direito a crédito) e o não cumulativo (com crédito, mas com a eterna discussão sobre o que é ou não "insumo"). Muitos prestadores de serviço, sobretudo no Lucro Presumido, estão no cumulativo e não tomam crédito nenhum hoje. A CBS acaba com essa divisão: passa a valer a não cumulatividade plena, com crédito financeiro amplo sobre quase tudo que a empresa adquire para a atividade, salvo o uso ou consumo pessoal. A comparação detalhada está em CBS x PIS e Cofins.

O detalhe que muda o jogo nos serviços: poucos insumos

Crédito amplo parece ótimo, e é. O problema é o que o serviço tem para creditar. Numa empresa de serviços, o maior custo em geral é gente: salários, pró-labore e encargos. E folha de pagamento não gera crédito, porque não é a compra de um bem ou serviço de um fornecedor contribuinte.

O que sobra para creditar são despesas como:

  • aluguel do escritório e energia elétrica;
  • software, assinaturas e serviços de TI;
  • serviços contratados de terceiros (contribuintes);
  • materiais de trabalho e equipamentos.

Por isso, quanto mais intensivo em mão de obra for o serviço, menos a não cumulatividade ajuda a reduzir o imposto a pagar. Veja o passo a passo em como funciona o crédito de CBS.

Um exemplo simples (com a alíquota de teste)

Vamos usar a alíquota simbólica de 0,9% de 2026 só para mostrar a lógica. Sua empresa presta um serviço de R$ 1.000 e destaca R$ 9,00 de CBS. Se, no período, as despesas creditáveis da atividade tiverem gerado, digamos, R$ 2,70 de crédito de CBS, você não recolhe os R$ 9,00 cheios: abate o crédito e recolhe R$ 6,30. Repare que, se quase todo o seu custo fosse mão de obra (que não credita), o crédito seria pequeno e o valor a recolher ficaria próximo dos R$ 9,00.

Então a CBS aumenta o custo dos serviços?

É a dúvida mais comum, e a resposta honesta é: depende. Três fatores decidem:

  1. A alíquota final. A alíquota cheia da CBS ainda está em estimativa (é parte da alíquota de referência), então não dá para cravar o número.
  2. Quanto a atividade tem de insumo creditável. Quem compra muito (equipamentos, tecnologia, terceiros) aproveita mais crédito; quem só tem mão de obra, menos.
  3. As reduções setoriais, que atenuam a carga de vários serviços, como você vê a seguir.

Reduções que valem para vários serviços

A reforma prevê descontos de alíquota para setores considerados essenciais. Para os serviços, os principais são:

Situação Redução Quanto se paga
Saúde, educação, transporte público coletivo, produções culturais e jornalísticas nacionais 60% 40% da alíquota
18 profissões liberais (advogados, médicos, engenheiros, contadores etc.) 30% 70% da alíquota
Demais serviços (sem benefício) , Alíquota integral

Essas reduções valem igualmente para a CBS e para o IBS, porque os dois compartilham a mesma base. Se você é profissional liberal, veja os detalhes em CBS para profissionais liberais. ⚠️ O alcance exato de cada setor ainda depende do detalhamento da regulamentação, então confirme o seu enquadramento na fonte oficial.

O outro lado da moeda: seu cliente ganha crédito

Há um efeito positivo importante para quem atende outras empresas (B2B). Quando você presta serviço para uma empresa do regime regular, a CBS destacada na sua nota vira crédito para o cliente. Isso pode manter, ou até melhorar, sua competitividade dentro de cadeias entre empresas, algo que nem sempre acontecia no modelo antigo.

Já quando o cliente é consumidor final (B2C), o crédito não faz diferença para ele, porque o consumidor não aproveita crédito. Nesse caso, o que pesa é o preço final.

Quando isso passa a valer

  • 2026 (ano-teste): a CBS aparece na nota a 0,9% (com o IBS a 0,1%), mas sem recolhimento efetivo. Serve para todos calibrarem sistemas.
  • 2027: a CBS entra em alíquota cheia e PIS e Cofins são extintos.
  • 2027 e 2028: o IBS segue em 0,1%, então, nos serviços, é a CBS que muda o jogo primeiro.

O que fazer agora

  • Descubra em qual regime de PIS/Cofins você está hoje (cumulativo ou não cumulativo) para dimensionar a mudança.
  • Mapeie as despesas que passarão a gerar crédito de CBS (aluguel, energia, TI, terceiros).
  • Verifique se a sua atividade se enquadra em alguma redução (60% ou 30%).
  • Ajuste o sistema de emissão de notas para destacar a CBS por item ainda em 2026.
  • Se você atende empresas, lembre que a CBS da sua nota vira crédito do cliente, use isso na negociação.

Perguntas frequentes

A CBS aumenta o imposto dos serviços?+

Depende. A CBS substitui o PIS e a Cofins e passa a dar crédito amplo sobre as compras da atividade, mas serviço costuma ter poucos insumos que geram crédito (a folha de salários, por exemplo, não gera). O efeito final depende da alíquota, ainda em estimativa, e das reduções do setor.

Prestador de serviço passa a ter crédito?+

Sim. No regime regular, a empresa credita a CBS de quase tudo que compra para a atividade (aluguel, energia, software, serviços de terceiros, equipamentos), com exceção do uso ou consumo pessoal. A limitação prática é que o principal custo do serviço, a mão de obra, não gera crédito.

Quais serviços têm alíquota reduzida?+

A lei prevê redução de 60% (paga-se 40%) para setores como saúde, educação e transporte público coletivo, e redução de 30% (paga-se 70%) para 18 profissões liberais reguladas por conselho. As reduções valem tanto para a CBS quanto para o IBS.

A folha de salários gera crédito de CBS?+

Não. Salários e encargos não são aquisição de bens ou serviços de um fornecedor, então não geram crédito de CBS. Por isso serviços intensivos em mão de obra aproveitam menos a não cumulatividade.

Fontes

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